Henrique Bastos

Especialista em IA / Product Manager / Goiânia

Coloco IA em produção começando pelo processo, não pela ferramenta. Converso com quem executa o trabalho, mapeio o fluxo, calculo quanto cada gargalo custa por ano e priorizo o que se paga mais rápido. Só então construo, meço e ajusto.

Diagnósticos e automações para clientes em odontologia, assessoria de investimentos, hospitalidade e administração de condomínios. O caso abaixo é o mais recente, e o único com dois meses de medição completa.

Henrique Bastos
projeto em destaque

Um cliente, dois meses: o agente que respondeu mais de 10 mil mensagens

Um negócio de hospedagem e lazer em Goiás atendia tudo por WhatsApp, na mão. A mediana de primeira resposta era de 45 minutos, um terço das mensagens chegava à noite ou em dia fechado, e não existia número de nada: nem tempo de resposta, nem quantas perguntas se repetiam, nem quanto se perdia em conversa abandonada.

Especifiquei e construí um agente em produção: 84 etapas de fluxo em n8n, Supabase para estado e histórico, Google Calendar para a agenda, transcrição de áudio e a API oficial do WhatsApp. Ele responde dúvida, cotação e política da casa, e escala para a equipe nos casos que pedem decisão humana.

O fluxo em produção. Cada bloco colorido é uma etapa da conversa, do recebimento da mensagem até a reserva.

O que mudou, em 62 dias de operação

10.363
mensagens de clientes respondidas
9.823 respostas do agente, em 62 dias de operação. Antes do sistema, nenhuma mensagem era respondida sem uma pessoa.
19s
mediana até a primeira resposta
Conta desde o horário da mensagem do cliente e inclui os 10 segundos que o agente espera para juntar mensagens seguidas. Em 9 de cada 10 vezes, até 22s. A operação humana levava 45 minutos.
57 → 80%
conversas resolvidas sem ninguém da equipe
Do primeiro mês fechado até a semana mais recente. A meta contratada era 60%, e o primeiro mês não bateu: fechou em 57%.
33%
das mensagens chegam fora do horário
Entre 18h e 8h ou na segunda, quando a casa está fechada. Antes, ficavam sem resposta até o dia seguinte.
41
reservas fechadas pelo agente
Do primeiro contato ao PIX enviado, sem intervenção humana, em 4 das 9 unidades.

Partindo de zero atendimento automático: antes do sistema, nenhuma mensagem era respondida sem uma pessoa. A mediana de 19s conta desde o horário da mensagem do cliente e inclui os 10 segundos que o agente espera para juntar mensagens seguidas. Em 9 de cada 10 vezes, até 22s.

como eu meço

Cada número tem uma régua escrita e pode ser recontado

Toda semana o resultado é congelado num arquivo com a consulta que o gerou, e recontado depois de forma independente. O cliente recebe um painel que explica, ao lado de cada número, como ele foi contado. Não é relatório de fim de projeto: é o que permite saber, na semana seguinte, se a mudança que eu fiz melhorou ou piorou.

Recorte de uma semana do painel do cliente. Cada cartão traz a régua embaixo do número.

Antes de qualquer mudança entrar no ar, o fluxo roda contra um ambiente clonado, com testes de regressão. Dado pessoal fica mascarado no repositório.

o que ele não resolveu

O gargalo mudou de lugar, e isso é resultado também

O agente fecha reserva em 4 das 9 unidades. Nas outras cinco ele não consegue, porque a ocupação não é lançada em lugar nenhum, e mais de 145 pessoas pediram exatamente essas unidades. Também dá para ver, semana a semana, onde as conversas morrem.

116
escreveram · 22 pararam antes de perguntar preço
94
receberam preço · 73 saíram aqui, o maior vazamento da semana
21
ouviram que estava disponível · 14 não chegaram ao pagamento
7
receberam o PIX

Nenhuma das duas coisas se conserta com prompt melhor. São decisões da operação, e foi a medição que tornou possível apontar para elas com número. Automatizar a etapa boa de um processo quebrado só faz o gargalo andar de lugar.

método

Diagnóstico antes de construção

Antes de escolher ferramenta, eu entrevisto quem executa o trabalho, desenho o processo como ele acontece de verdade e classifico cada gargalo por perda de tempo ou risco de erro. Cada um vira um número em reais por ano: horas, custo por hora e volume. Só então comparo com o custo de construir e com o tempo de retorno.

Em boa parte dos casos a recomendação é não automatizar, e resolver com processo, planilha ou uma contratação. Quando compensa, a ordem é ganho rápido primeiro.

Mapa do processo como ele acontece, não como está no manual.
Matriz de impacto por esforço, usada para decidir o que entra primeiro.
Pré-diagnóstico e entrevistas com quem executa o trabalho, uma a uma. Rostos desfocados.
Visão 360° do negócio, montada antes de qualquer recomendação. Rostos desfocados.

EntrevistasMapa de processosOps CanvasCusto em R$/anoMatriz de impactoRoadmap com retorno

como eu construo

Prompt define comportamento, código define o que não pode acontecer

Modelo de linguagem não é garantia. O que sustenta um agente em produção são as travas determinísticas por cima da geração: o que ele não pode afirmar, o que ele não pode fechar sem confirmação, e o que obriga a passar para uma pessoa. O contexto do negócio fica documentado em arquivo, versionado, para que o agente e eu estejamos lendo a mesma verdade.

Contexto do negócio documentado e versionado, organizado para trabalho com agentes.
Testes de regressão antes de qualquer mudança no ar.

Onde a IA não deve entrar

Numa esteira de prospecção que construí sobre a base pública de CNPJs da Receita, parte de 1,17 milhão de empresas até uma lista qualificada, com enriquecimento, deduplicação e priorização. A decisão que mais economizou foi tirar o modelo das etapas que não exigem julgamento: o custo por item caiu de 50 a 100 mil tokens para cerca de 18 mil, sem perder qualidade.

dados e governança

O que a IA não pode fazer é decidido antes de ela entrar

Agente que fala com cliente lida com dado pessoal, e isso muda o que pode ser construído. Na prática: o dado pessoal fica mascarado no repositório, o agente só acessa o que precisa para responder, e tudo que ele decide fica registrado, com o histórico de qual versão do fluxo estava no ar em cada momento.

As decisões que afetam o cliente têm revisão humana por construção. O agente não fecha nada fora do que foi autorizado, não confirma disponibilidade que não consegue verificar, e passa para uma pessoa quando o pedido sai do combinado. Isso não é configuração de prompt: são travas em código, testadas antes de subir.

Escolho o modelo pela tarefa, não por preferência, e levo em conta onde o dado é processado e se ele pode ser usado para treinar modelo de terceiro.

adoção

Ferramenta que ninguém entende não é adotada

A parte mais difícil de um projeto de IA não é construir, é fazer as áreas usarem. Por isso o painel que o cliente recebe explica, embaixo de cada número, como ele foi contado, e o contexto do negócio fica documentado em texto que qualquer pessoa da operação consegue ler e corrigir.

Quando a medição mostra que o gargalo saiu do sistema e foi para a operação, a conversa deixa de ser sobre tecnologia e passa a ser sobre processo. É essa conversa que faz a ferramenta durar depois que a novidade passa. Também escrevo publicamente sobre o que construo, inclusive sobre o que não funcionou, porque é o que me obriga a ter número antes de afirmar.

produto

Nove produtos SaaS B2B, cinco levados do zero até a operação

Três anos e meio como Product Owner e Product Manager: conta digital e pagamentos, atendimento omnichannel, ERP com PDV, e-learning homologado por DETRAN e ferramentas de presença local com IA.

ProdutoO que eraMeu papel
UnichatAtendimento com WhatsApp, Instagram e Messenger unificadosPO do MVP, criado do zero, com squad de 5 a 6 devs e um tech lead. 50 empresas cadastradas nos três primeiros meses e 20 assinantes pagantes quando deixei o produto
HyperpayConta digital com Pix, boleto e cartãoPO do sistema de cobranças: tela única com serviço, veículo, beneficiários e valores antes da escolha do meio de pagamento
VistoriaFácil e CursoTeóricoSolicitação, pagamento e agendamento no ecossistema de trânsitoMVPs que liderei até o início da operação
FunBar e FunPassERP e PDV com autoatendimento para eventos, integrado à bilheteriaBacklog, alinhamento do time e validação com os primeiros clientes no lançamento
Quality Backlinks e GMNDois SaaS para agências, com IA gerando artigo, descrição e respostaPM dos dois produtos
trajetória

Oito anos em tecnologia, do suporte à IA

Entrei como analista de suporte júnior em 2018 e cheguei a gerente do setor em dois anos e nove meses. Respondia por um helpdesk de quase 20 agentes em chat, e-mail e telefone, com um supervisor sob minha gestão, atendendo cerca de 600 autoescolas que operavam sob portarias do DETRAN-GO, onde erro de processo tinha consequência regulatória para o cliente.

Foi ali que aprendi a olhar processo de perto: onde o retrabalho nasce, o que o time faz porque sempre fez, e quanto disso custa. Depois vieram produto e, agora, IA aplicada.

2018 a 2022 · equipe de suporte da Hypersoft, como gestor
2019 · treinamento na Vsoft, parceira da Hypersoft · João Pessoa, PB
2021 · evento do DETRAN-GO, com a Hypersoft
2022 · planejamento de sprint na HyperDev
2023 · time de desenvolvimento na ADS
2023 · evento de tecnologia e IA em Gramado, pela ADS
jun 2024 · apresentação de sistema ERP
2024 · design e UX das telas do FunBar e do FunPass
jul 2025 · com o líder da Shein e CEO da Yupi, em São Paulo
2025 · Chat-Commerce Talk Show, na Meta em São Paulo
set 2025 · solução de saúde com IA para prefeituras, com a Meregetech
o que deu errado

Quatro coisas que eu vi quebrar, e o que mudei depois

O mesmo vale para o trabalho com IA: no projeto mais recente, a primeira meta contratada não foi batida no primeiro mês, e o número saiu no relatório do mesmo jeito, ao lado da série que já estava acima da meta nas semanas seguintes.

como trabalho

Perto de quem executa, com o resultado medido em público

Trabalho remoto, com disponibilidade para estar presencialmente quando o assunto pede ver a operação acontecer. Escrevo sobre o que aprendo, inclusive sobre o que não deu certo, porque é o tipo de conteúdo que me obriga a ter número antes de afirmar.