Coloco IA em produção começando pelo processo, não pela ferramenta. Converso com quem executa o trabalho, mapeio o fluxo, calculo quanto cada gargalo custa por ano e priorizo o que se paga mais rápido. Só então construo, meço e ajusto.
Diagnósticos e automações para clientes em odontologia, assessoria de investimentos, hospitalidade e administração de condomínios. O caso abaixo é o mais recente, e o único com dois meses de medição completa.

Um negócio de hospedagem e lazer em Goiás atendia tudo por WhatsApp, na mão. A mediana de primeira resposta era de 45 minutos, um terço das mensagens chegava à noite ou em dia fechado, e não existia número de nada: nem tempo de resposta, nem quantas perguntas se repetiam, nem quanto se perdia em conversa abandonada.
Especifiquei e construí um agente em produção: 84 etapas de fluxo em n8n, Supabase para estado e histórico, Google Calendar para a agenda, transcrição de áudio e a API oficial do WhatsApp. Ele responde dúvida, cotação e política da casa, e escala para a equipe nos casos que pedem decisão humana.
Partindo de zero atendimento automático: antes do sistema, nenhuma mensagem era respondida sem uma pessoa. A mediana de 19s conta desde o horário da mensagem do cliente e inclui os 10 segundos que o agente espera para juntar mensagens seguidas. Em 9 de cada 10 vezes, até 22s.
Toda semana o resultado é congelado num arquivo com a consulta que o gerou, e recontado depois de forma independente. O cliente recebe um painel que explica, ao lado de cada número, como ele foi contado. Não é relatório de fim de projeto: é o que permite saber, na semana seguinte, se a mudança que eu fiz melhorou ou piorou.
Antes de qualquer mudança entrar no ar, o fluxo roda contra um ambiente clonado, com testes de regressão. Dado pessoal fica mascarado no repositório.
O agente fecha reserva em 4 das 9 unidades. Nas outras cinco ele não consegue, porque a ocupação não é lançada em lugar nenhum, e mais de 145 pessoas pediram exatamente essas unidades. Também dá para ver, semana a semana, onde as conversas morrem.
Nenhuma das duas coisas se conserta com prompt melhor. São decisões da operação, e foi a medição que tornou possível apontar para elas com número. Automatizar a etapa boa de um processo quebrado só faz o gargalo andar de lugar.
Antes de escolher ferramenta, eu entrevisto quem executa o trabalho, desenho o processo como ele acontece de verdade e classifico cada gargalo por perda de tempo ou risco de erro. Cada um vira um número em reais por ano: horas, custo por hora e volume. Só então comparo com o custo de construir e com o tempo de retorno.
Em boa parte dos casos a recomendação é não automatizar, e resolver com processo, planilha ou uma contratação. Quando compensa, a ordem é ganho rápido primeiro.
EntrevistasMapa de processosOps CanvasCusto em R$/anoMatriz de impactoRoadmap com retorno
Modelo de linguagem não é garantia. O que sustenta um agente em produção são as travas determinísticas por cima da geração: o que ele não pode afirmar, o que ele não pode fechar sem confirmação, e o que obriga a passar para uma pessoa. O contexto do negócio fica documentado em arquivo, versionado, para que o agente e eu estejamos lendo a mesma verdade.
Numa esteira de prospecção que construí sobre a base pública de CNPJs da Receita, parte de 1,17 milhão de empresas até uma lista qualificada, com enriquecimento, deduplicação e priorização. A decisão que mais economizou foi tirar o modelo das etapas que não exigem julgamento: o custo por item caiu de 50 a 100 mil tokens para cerca de 18 mil, sem perder qualidade.
Agente que fala com cliente lida com dado pessoal, e isso muda o que pode ser construído. Na prática: o dado pessoal fica mascarado no repositório, o agente só acessa o que precisa para responder, e tudo que ele decide fica registrado, com o histórico de qual versão do fluxo estava no ar em cada momento.
As decisões que afetam o cliente têm revisão humana por construção. O agente não fecha nada fora do que foi autorizado, não confirma disponibilidade que não consegue verificar, e passa para uma pessoa quando o pedido sai do combinado. Isso não é configuração de prompt: são travas em código, testadas antes de subir.
Escolho o modelo pela tarefa, não por preferência, e levo em conta onde o dado é processado e se ele pode ser usado para treinar modelo de terceiro.

A parte mais difícil de um projeto de IA não é construir, é fazer as áreas usarem. Por isso o painel que o cliente recebe explica, embaixo de cada número, como ele foi contado, e o contexto do negócio fica documentado em texto que qualquer pessoa da operação consegue ler e corrigir.
Quando a medição mostra que o gargalo saiu do sistema e foi para a operação, a conversa deixa de ser sobre tecnologia e passa a ser sobre processo. É essa conversa que faz a ferramenta durar depois que a novidade passa. Também escrevo publicamente sobre o que construo, inclusive sobre o que não funcionou, porque é o que me obriga a ter número antes de afirmar.
Três anos e meio como Product Owner e Product Manager: conta digital e pagamentos, atendimento omnichannel, ERP com PDV, e-learning homologado por DETRAN e ferramentas de presença local com IA.
| Produto | O que era | Meu papel |
|---|---|---|
| Unichat | Atendimento com WhatsApp, Instagram e Messenger unificados | PO do MVP, criado do zero, com squad de 5 a 6 devs e um tech lead. 50 empresas cadastradas nos três primeiros meses e 20 assinantes pagantes quando deixei o produto |
| Hyperpay | Conta digital com Pix, boleto e cartão | PO do sistema de cobranças: tela única com serviço, veículo, beneficiários e valores antes da escolha do meio de pagamento |
| VistoriaFácil e CursoTeórico | Solicitação, pagamento e agendamento no ecossistema de trânsito | MVPs que liderei até o início da operação |
| FunBar e FunPass | ERP e PDV com autoatendimento para eventos, integrado à bilheteria | Backlog, alinhamento do time e validação com os primeiros clientes no lançamento |
| Quality Backlinks e GMN | Dois SaaS para agências, com IA gerando artigo, descrição e resposta | PM dos dois produtos |






Entrei como analista de suporte júnior em 2018 e cheguei a gerente do setor em dois anos e nove meses. Respondia por um helpdesk de quase 20 agentes em chat, e-mail e telefone, com um supervisor sob minha gestão, atendendo cerca de 600 autoescolas que operavam sob portarias do DETRAN-GO, onde erro de processo tinha consequência regulatória para o cliente.
Foi ali que aprendi a olhar processo de perto: onde o retrabalho nasce, o que o time faz porque sempre fez, e quanto disso custa. Depois vieram produto e, agora, IA aplicada.











O mesmo vale para o trabalho com IA: no projeto mais recente, a primeira meta contratada não foi batida no primeiro mês, e o número saiu no relatório do mesmo jeito, ao lado da série que já estava acima da meta nas semanas seguintes.
Trabalho remoto, com disponibilidade para estar presencialmente quando o assunto pede ver a operação acontecer. Escrevo sobre o que aprendo, inclusive sobre o que não deu certo, porque é o tipo de conteúdo que me obriga a ter número antes de afirmar.
